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A Miriam Leitão não analisou, de novo, no Bom Dia Brasil desta sexta-feira, dia 19, o sistema de privatização usado pelos tucanos no Metrô de São Paulo. Qual a intensidade dessa 'omissão' no Índice 'Vamos Derrubar o Lula'?
SERRA NÃO É O LÍDER PARA ESTA HORA
Hoje, sexta feira, 19 de janeiro de 2007, faz uma semana que se abriu a cratera na Linha 4 do Metrô de São Paulo. Uma semana depois da tragédia, o Conversa Afiada considera apropriado republicar o texto que se segue:
. Ao fim do sexto dia da crise da cratera, o Governador do Estado de São Paulo disse três coisas: . Primeiro, socorrer as vitimas. . Segundo, a culpa é dos empreiteiros. . Terceiro, temos que esperar o IPT. (*) . O que aconteceu em São Paulo foi um crime. . Praticado por seres humanos, que, se houver Justiça, pagarão por ele na cadeia. . Foi um dos maiores acidentes de obra pública, produzido pelo homem, num grande centro urbano brasileiro. . Que afeta o sistema de transportes de uma cidade que, todas as manhãs e todas as noites, corrói um pedaço de cada cidadão que vai e volta do trabalho. . O que está em jogo é a segurança de TODO o trabalho de 13 km feito debaixo da terra, no coração da cidade, por empreiteiros que se revelaram ineptos. . O que está em jogo é a coluna vertebral da ideologia do partido que governa São Paulo há doze anos e governou o Brasil por oito anos e, por muito tempo, embalou o sonho de fazer o Brasil “avançar” – como dizia Fernando Henrique Cardoso. . O PSDB sem a privatização é o Catolicismo sem a Eucaristia. . Torna-se o PFL de Higienópolis. . O que está em jogo é o tipo de concorrência de “porteira fechada”, o “turn key”, que o Governador Geraldo Alckmin assinou e que delegou inteiramente às empreiteiras a gestão da coisa pública. . É como se o subsolo da cidade de São Paulo pertencesse a um grupo de empresas privadas, que não precisavam dar satisfação a ninguém. . E o Governador de São Paulo disse: a culpa é dos empreiteiros. . Provavelmente é o que ele deseja. Porém, quem determina a culpa, numa democracia, é o Judiciário. . Depois, Serra disse que o IPT (Instituto de Pesquisas Tecnológicas) é que vai dizer o que aconteceu. . É o que o Governador deseja. . Problema numero um. O IPT é do Governo de São Paulo. . Portanto, suspeito – o que não desmerece a qualificação e a probidade do IPT. . Problema dois. Para o governador, o laudo do IPT é o que vai valer. Mas, não será necessariamente o laudo que vai valer para o Ministério Público; para a Polícia; para o Legislativo do Estado; a Imprensa; os banqueiros; as seguradoras; cada cidadão que for à Justiça reclamar seus direitos. . O Governador Serra tem uma pequena dificuldade de entender que a democracia não é uma tirania – logo, o Executivo não é tudo. . O laudo do IPT pode sair, se tudo der certo, em seis meses. . Se sair antes, corre o risco de ser mal feito, como o trabalho de fornecedores da Linha 4, que queriam andar muito rápido para ganhar bônus. . E o líder de São Paulo vai esperar seis meses para tomar uma atitude? . E até lá, quem vai governar São Paulo? As emissoras de tevê? . Como explicar o comportamento do Governador do Estado? . Hipótese um: está difícil encontrar uma saída política que não jogue o PSDB de São Paulo (FHC e Alckmin e, portanto, Serra) no limbo político. . Hipótese dois. Serra acredita que a eleição de 2006 foi a vingança de 2002. . Ao se eleger Governador, na verdade, ele se elegeu o Presidente que não pode ser em 2002. E, por quatro anos, cumpriria a tarefa de Governar o Estado como governou a Prefeitura de São Paulo – como um obstáculo que se antepunha à ascensão à Presidência. . Portanto, ele ainda estaria, psicologicamente, em 2002. . Quando bastava ligar para a Globo, para a Folha e o Estado - e a crise da cratera sumiria em três dias. . Dessa vez, aconteceu um imprevisto nos planos presidenciais: a Globo não está mais sozinha. A Record, desde domingo passado, puxou a Globo para a disputa pela cobertura da crise. E as duas puxaram o resto. . Em 2006, não basta ligar para João Roberto Marinho, Ruy Mesquita e Otavio Frias Filho para conter a imprensa escrita. . Em 2006, havia um bicho novo, que se chama internet, que se chama portal da internet, que se chama blog, que puxa a imprensa escrita – e não o contrário, como era em 2002. (Uma dúvida: pode o PSDB de São Paulo sobreviver num ambiente com um pouco mais de liberdade de imprensa?) . E tem a terceira hipótese, a mais trágica. Serra não seria o líder para essa hora. . Serra é um economista/engenheiro. . Não é um líder político. Não é um estadista. . Entende tanto de liderança política quanto JK entendia de medicina. . Serra não é o Rudy Giuliani do 11 de setembro. . Esta hora é grave. A população de São Paulo olha para o céu, com medo da chuva, e, para baixo, com medo do que tem sob os pés. . É um sentimento de medo primitivo, original. . Mexe com as entranhas da comunidade, com sua sobrevivência. . Nessa hora, a comunidade precisa de um líder. . Depois da tragédia da Linha 4, Serra não esclareceu, não consolou, não conduziu, não inspirou, não deu esperança. . Depois da bancarrota do Great Crash, ao assumir a Presidência dos Estados Unidos, em 1933, Franklin Roosevelt disse: “Não temos nada a temer, a não ser o próprio medo”. . Ao assumir o cargo de Primeiro Ministro, num gabinete de Guerra, em 1940, Churchill disse ao Parlamento: “Nossa política é fazer a guerra... Nosso objetivo é a vitória. Vamos juntos, para a frente, como uma só força”. . Ao assumir o Ministério da Justiça, em junho de 1953, Tancredo Neves disse: “ ... sairemos depressa das dificuldades em que nos encontramos, pois nem tudo no nosso passado são erros. Nem tudo no nosso presente são vacilações, nem tudo no nosso futuro são incertezas”. . Três lideres. (*) O Governo de São Paulo suspendeu o pagamento do trecho da obra que desabou. Foi uma decisão “administrativa” do Metrô, disse Serra. Quer dizer, diante da crise, uma única providência: burocrática, de Tesouraria. Serra disse também que só soube da decisão DEPOIS que tinha sido tomada. Esta afirmação é o equivalente ao trecho da nota das empreiteiras que põe a culpa na chuva.
FHC E ALCKMIN - O SILÊNCIO É DE OURO
Hoje, sexta feira, 19 de janeiro de 2007, faz uma semana que se abriu a cratera na Linha 4 do Metrô de São Paulo. Uma semana depois da tragédia, o Conversa Afiada considera apropriado republicar o texto que se segue: . FHC, o Farol de Alexandria, que fala sobre tudo, emudeceu desde o desastre do Metrô. . Parece dedicar-se à campanha da “terceira via” para a Presidência da Câmara. Típica tarefa de um estadista, ex-presidente. . Como demonstrou a repórter Cleisla Garcia, da TV Record, as obras da linha 4 do Metrô quase derrubam um prédio do bairro de Higienópolis, onde mora FHC. . FHC parece agora imobilizado diante da crise na “teologia da privatização”, ele que foi o Gustavo Gutierrez (*) dessa corrente de pensamento que pregava que o Estado vendesse o que podia. . Será que FHC defende o sistema “turn key”, de “porteira fechada”, que o Governo (tucano) de São Paulo assinou com as empreiteiras Odebrecht, OAS, Queiroz Galvão, Camargo Corrêa e Andrade Gutierrez? . Quem também emudeceu foi o ex-governador Geraldo Alckmin. . Alckmin corre o risco de só vir a defender o que fez diante dos promotores públicos de São Paulo. . Quem emudeceu hoje foi a Controladora Geral da República, Miriam Leitão, que, no Bom Dia Brasil, considerou “fracas” as medidas do pacote econômico que o Governo vai lançar – e que o Bom Dia Brasil admite que não sabe como vão ser. . Logo ela, Miriam Leitão, que pregou do púlpito a “teologia da privatização”. . Os editoriais do Estado de S. Paulo, da Folha de S. Paulo e do Globo também ainda não ofereceram aos seus inúmeros leitores uma defesa da privatização – como, no passado, sempre fizeram com entusiasmo. . A estratégia do Governador José Serra parece clara, neste sexto dia da crise: a culpa é das empreiteiras, mas não da “porteira fechada”. (*2) . Fica mais ou menos assim. Se fosse possível trocar de empreiteiras, tudo correria bem. . Ainda está para nascer o político brasileiro que vá brigar com as empreiteiras (e com a Globo)... (*3) . Uma semana depois da tragédia da Linha 4, as empreiteiras Odebrecht, OAS, Queiroz Galvão, Camargo Corrêa e Andrade Gutierrez voltaram a dar explicações, numa nota oficial. . Na primeira, disseram que a culpa era da chuva. . Agora, dizem que não se isentarão de suas responsabilidades. . Seria bom que as famílias prejudicadas pegassem isso ao pé da letra, para não deixar que a tragédia se transforme num novo Pálace II – e recebam logo as indenizações que a lei determinar. . A nota oficial das empreiteiras tem um parágrafo muito interessante: “O consorcio, por meio de seus técnicos, consultores e especialistas de reconhecida competência (sic) nacional e internacional, está tomando todas as providencias para a responsável apuração dos fatos. O Instituto de Criminalística da Policia Cientifica e o Instituto de Pesquisas Tecnologicas (IPT) também apresentarão seus laudos para esclarecer as causas do acidente”. . Quer dizer , então, que há dois outros pareceres, além daquele do IPT, que vão ajudar a esclarecer a causas do acidente: o das empreiteiras e o do Instituto de Criminalística da Policia Cientifica. . Até hoje, o Governador José Serra tinha manifestado a intenção de dar ao IPT (órgão subordinado ao Governo do Estado de São Paulo) o monopólio de apurar a verdade. . É claro que haverá tantos laudos quanto exigir o desdobramento da questão no âmbito do Ministério Publico, da Policia e da Justiça. . Porém, a nota das empreiteiras indica já uma primeira rachadura política: as empreiteiras não querem ficar na mão de Serra. ENGENHEIROS DO METRÔ QUEREM DAR TRANSPARÊNCIA ÀS INVESTIGAÇÕES O vice-presidente da Aeamesp (Associação dos Engenheiros e Arquitetos do Metrô), Emiliano Affonso, disse em entrevista a Paulo Henrique Amorim nesta sexta-feira, dia 19, que a entidade vai acompanhar as investigações do acidente na Linha 4 para dar mais transparência aos trabalhos (clique aqui para ouvir). “A Aeamesp se coloca à disposição para dar essa transparência”, disse o representante da Aeamesp. Affonso reforçou que a Aeamesp confia no trabalho do IPT. Segundo ele, os engenheiros da entidade se colocam à disposição para auxiliar e dar mais transparência às investigações. A decisão foi tomada numa reunião que aconteceu nesta quinta-feira, dia 18, a convite do Sindicato dos Metroviários. “Nós temos plena confiança no IPT, nós sabemos que eles vão contratar técnicos de fora, nós entendemos que a análise deles vai ser séria, mas estamos juntos para ajudar”, afirmou Affonso. O engenheiro defende que o restante da obra da Linha 4 não deve ser colocada em xeque. Amiliano Affonso disse que para participar das investigações, a Aeamesp precisa ser convidade. "Acho que precisaria ter um convite. Um convite para nós participarmos", disse o engenheiro. Affonso criticou o modelo de contrato que rege a Linha 4, chamado de “porteira fechada”. Nesse tipo de contrato, o Metrô participa do processo, faz a fiscalização das obras, “mas de maneira diferente do que era feita antes”.
Leia a íntegra da entrevista com o vice-presidente da Aeamesp, Emiliano Affonso: Paulo Henrique Amorim – Eu vou conversar agora com Emiliano Affonso, vice-presidente da Associação dos Engenheiros do Metrô de São Paulo. Como vai Emiliano, tudo bem? Emiliano Affonso – Tudo em ordem, Paulo Henrique. Paulo Henrique Amorim – Emiliano, aparentemente há a informação de que vocês, Associação dos Engenheiros do Metrô, decidiram numa reunião de ontem acompanhar pari passo as investigações sobre as responsabilidades no caso do acidente. Isso é verdade? E, se for, por que vocês fizeram isso? Emiliano Affonso – Deixa a gente contextualizar. Primeiro ponto, o IPT, ele tem bons técnicos, é uma entidade respeitadíssima no meio. Nós não temos dúvidas quanto à seriedade que ele vai realizar os trabalho. Paulo Henrique Amorim – Perfeito. Emiliano Affonso – O que foi colocado ontem numa reunião que foi convocada pelo Sindicato dos Metroviários era que precisaria eventualmente dar mais transparência. Então, se o fato é para dar transparência, entidades como Aeamesp se coloca à disposição... Paulo Henrique Amorim – Qual entidade? Emiliano Affonso – Como a nossa, Associação dos Engenheiros e Arquitetos do Metrô, se coloca à disposição para dar essa transparência. Nós temos plena confiança no IPT, nós já sabemos que eles vão contratar técnicos de fora, nós entendemos que a análise deles vai ser séria e estamos juntos para ajudar. Então essa decisão que tomou lá onde estava, inclusive Sindicato dos Engenheiros, Sindicato dos Arquitetos e alguns outros sindicatos convidados pelo Sindicato dos Metroviários, se foi nessa linha. O consenso foi por aí. Paulo Henrique Amorim – Agora deixa eu entender o que vocês entender por acompanhar e ajudar. Qual vai ser o trabalho da Associação dos Engenheiros do Metrô de São Paulo? Emiliano Affonso – Se falar hoje que tem um trabalho definitivo, não tem. Tanto que na reunião, na própria reunião de ontem de manhã, ficou ajustado que na segunda-feira nós íamos falar. Tem uma outra coisa também. Esse, o IPT, ele está sendo contratado pela Companhia do Metropolitano do Estado de São Paulo. Paulo Henrique Amorim – Sei... Emiliano Affonso – Então acho que precisaria ter um convite. Um convite para nós participarmos. O que nós estamos colocando é isso. Um outro ponto que foi levantado lá pelo sindicato era a preocupação com a obra, a obra da Linha 4. Será que ela é segura? Será que ela não é segura? Nós não deveríamos colocar em xeque toda a obra? A nossa posição foi que não. Eu te falo até porque, Paulo Henrique... Paulo Henrique Amorim – Não, o que? Eu não entendi. Emiliano Affonso – Não, o que eu coloco é que nós não devemos colocar em xeque o restante da obra do Metrô, da Linha 4. O que acontece? Existe um modelo de contrato diferente do que normalmente era feito para as obras do Metrô. Paulo Henrique Amorim – Está certo. Emiliano Affonso – Esse modelo de contrato, que é o... Paulo Henrique Amorim – “Porteira fechada”. Emiliano Affonso – “Porteira fechada”, ele passa como obrigação da empresa dar o projeto, construção, suprimento, instalação. Está tudo com o consórcio que ganhou. Agora, o Metrô fica de fora? Não. Ele fica dentro de uma posição de fiscalização diferente da que era feita antes. Por exemplo, nós fizemos o projeto básico, as especificações técnicas são do Metrô. Existe, por exemplo, uma gerência da Companhia que acompanha a implantação, se essa implantação está sendo feita de acordo com os projetos que o consórcio fez. Mas cabe ao consórcio tomar todas as decisões frente a como fazer. Nós não entramos, por exemplo, nos detalhes de um cálculo estrutural. Nós não entramos, por exemplo, como teve esse evento na sexta-feira, quais são as medidas que têm que ser tomadas para evitar, a não ser que a gente seja consultado. Essa é a diferença, a diferença do contrato. Paulo Henrique Amorim – Mas o senhor, como engenheiro e membro dessa Associação dos Engenheiros do Metrô, o senhor está satisfeito com o trabalho da Linha 4? Emiliano Affonso – Olha, quando você toca neste assunto... Paulo Henrique Amorim – Como profissional. Emiliano Affonso – Não, como profissional. Nós como profissional, aqui a nossa Associação, nós gostaríamos de estar tendo uma participação um pouco maior. Paulo Henrique Amorim – Gostaria que o consórcio desse mais satisfação? Emiliano Affonso – Não sei se desse satisfação. Eu acho que, o que está acontecendo hoje? Hoje tem um contrato feito, tem uma regra de contrato que eu acho que tem que ser cumprida. Agora, nós temos que aprender com os erros e acertos. Agora, qual é a nossa ansiedade? Até por ter sido um fato que afeta o nome da empresa que nós trabalhamos. Paulo Henrique Amorim – Que é o Metrô. Emiliano Affonso – Que é uma empresa que se preza pela eficiência e eficácia. Era de que isso efetivamente seja verificado, eventuais erros detectados, que eles sirvam para a gente se precaver com o que pode vir a acontecer. E que o novo contrato seja repensado, se efetivamente essa forma de contratação é a melhor possível. Nós entendemos que não. Paulo Henrique Amorim – O senhor é contra a “porteira fechada”? Emiliano Affonso – Eu pessoalmente sou. E a Associação também. Paulo Henrique Amorim – Por que? Emiliano Affonso – Porque o... Paulo Henrique Amorim – O fato de os engenheiros do Metrô serem contra o contrato de “porteira fechada” é uma atitude classista? Ou seja, os engenheiros gostariam de ter mais poder sobre a obra do Metrô do que esse contrato de “porteira fechada” permite? Emiliano Affonso – Eu não colocaria uma atitude classista não, ta. O que acontece? A Companhia de Trens Metropolitano de São Paulo é uma companhia que tem muito know-how adquirido. Nós temos know-how desde implantação, projeto, sistemas, cooperação e manutenção. Então, não é gratuitamente que nós temos o índice de eficiência da nossa operação. Nós, por exemplo, não aceitamos caixas-pretas nos nossos sistemas. O que nós entendemos? Esse é o grupo técnico, eu acho que do país, que mais conhece de Metrô ou se não for o que mais conhece é um dos que mais conhece. E nós achamos que ele deveria ser efetivamente, ou vamos dizer, mais aproveitado. Deveria ter uma participação maior nessas coisas. Você falar “não tem participação” é mentira. Lógico que tem participação. O nosso pessoal está vendo os projetos, nós temos cópias de todos os projetos que foram feitos, as especificações todas saíram daqui. Paulo Henrique Amorim – Mas o senhor não se considera responsável pelo desastre. Emiliano Affonso – De jeito nenhum Paulo Henrique Amorim – Claro. Emiliano Affonso – De jeito nenhum Paulo Henrique Amorim – A sua participação não atinge a sua responsabilidade. Emiliano Affonso – Não. Por exemplo, uma das coisas “boas”, entre aspas, que existe num contrato – porque se eu dizer que um contrato é melhor que outro é relativo tem aspectos melhores de um lado e de outro –, mas os aspectos bons é que num caso desse fica muito claro de quem é a responsabilidade. O projeto é executivo, o consórcio. Paulo Henrique Amorim – Eu gostaria, Emiliano, se você pudesse me explicar, se não é uma posição classista, por que você da Associação de Engenheiros do Metrô são contra a “porteira fechada”? Emiliano Affonso – Se não é classista? Paulo Henrique Amorim – É porque eu perguntei se era uma posição classista e você disse “não, não é”; então o que tem tecnicamente errado ou filosoficamente errado? Emiliano Affonso – Filosoficamente... é o pior que é filosófico, num momento que você coloca dentro de uma mesma empresa do mesmo grupo a preocupação com o projeto, com a construção e com a execução, o total disso é que é levado em conta. Toda obra tem um nível de risco. Ninguém faz uma obra para cair. O pessoal que está lá é experiente. Mas você leva em consideração o total. E quando você tem contratos separados, a projetista tem mais autonomia, por exemplo. O pessoal de obra tem sua autonomia, o pessoal que está controlando a frente também tem sua autonomia. Então, uma decisão é feita dentro de um conjunto. Paulo Henrique Amorim – E um fica olhando o que o outro está fazendo... Emiliano Affonso – E um fica olhando o que o outro está fazendo. Agora, nós não podemos afirmar que um não fica olhando o que o outro está fazendo. Com certeza os engenheiros da frente-de-obra têm que olhar. Os nossos engenheiros que estão lá verificando se a obra está sendo feita de acordo com o especificado no projeto da Via Amarela estão lá. Inclusive atestando o que foi feito e o que não foi feito. Mas nós não entramos no detalhe. E isso, você não tem uma independência. O “turn key” torna uma dependência maior. É essa a posição nossa. Ficou claro, Paulo? Paulo Henrique Amorim – Claríssimo, claríssimo. Olha, te agradeço muitíssimo pelas explicações, para entender o problema. Emiliano Affonso – Uma outra coisa que eu gostaria de pontuar como engenheiro. Paulo Henrique Amorim – Pois não. Emiliano Affonso – A gente vê na imprensa, questionamentos: “qual é a causa?”, “o que aconteceu e o que não aconteceu?”. A causa pode ter diversas razões. Uma das coisas que nós fazemos. A estação está feita no local, a proposta da estação, se ela tem que ser mais profunda ou menos profunda. Ela está sendo feita no local que deveria ser feita. Paulo Henrique Amorim – Na sua opinião. Emiliano Affonso – Não minha, de técnicos balizados para isso. Paulo Henrique Amorim – Aquela idéia de fazer mais profundo... Emiliano Affonso – Não mudaria, não traria, vamos dizer, o fato de ela estar sendo feita onde está sendo feita ela poderia ser feito sem ocorrer nada. O solo era conhecido, a situação era conhecida. Ela mais fundo, inclusive, dificultaria as operações. Então você fala: “não fez mais fundo porque era mais caro”. De repente seria mais caro se fizesse funda, mas essa não foi a decisão, a razão pela tomada de decisão. Então, nós questionamos um pouco essas posições. Eu acho que você falar que a obra caiu por uma razão A ou B é prematuro. Vamos esperar o que o IPT está fazendo. Paulo Henrique Amorim – Agora, a chuva não foi. Emiliano Affonso – Não. Se você perguntar... a chuva é conhecida, o solo é conhecido... Paulo Henrique Amorim – Tudo bem, ninguém está dizendo que sabe o que foi, mas chuva a gente sabe que não foi. Emiliano Affonso – É. Não deveria ter sido. Dentro de um projeto não seria a razão.
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