Lei que altera a denominação da rua Doutor Sérgio Fleury para Frei Tito é sancionada

Vereador Arselino Tatto, um dos autores do projeto, comemora a aprovação


25/9/2021


Agora é oficial, o Prefeito de São Paulo sancionou a Lei 17.648 que altera a denominação da Rua Doutor Sérgio Fleury para Rua Frei Tito de Alencar Lima, na Vila Leopoldina, zona Oeste da cidade. A iniciativa foi publicada no Diário Oficial neste sábado (25).


Foto: Reprodução


Em 2013, a Câmara Municipal aprovou mudanças à Lei 14.454 que permitem a alteração das denominações e logradouros públicos de personalidades que violaram direitos humanos.


O vereador Arselino Tatto (PT), um dos autores do projeto que deu origem à Lei, comemora a sanção e relembra a história do frade dominicano: “Frei Tito foi um defensor da nossa democracia, viveu o terror da ditadura militar e infelizmente não resistiu aos traumas psicológicos das torturas das quais foi vítima. A aprovação da Lei é um simbolismo importante para a nossa história e para todos aqueles que viveram e sofreram com o regime militar”, declarou Arselino Tatto.

O delegado Sérgio Paranhos Fleury foi um dos principais torturadores de Frei Tito, por isso, a alteração da denominação é considerada uma reparação histórica.


Arselino Tatto considera ainda que a aprovação da Lei abre precedente para banir outros nomes de figuras que atentaram contra a democracia e são homenageadas em ruas e outros logradouros públicos.


Sobre Frei Tito


A história do cearense Frei Tito começa na luta pela educação de qualidade no Brasil, junto à Juventude Estudantil Católica – JEC, e sua primeira prisão acontece justamente por participar do Congresso da UNE, em 1968. Ao lado de outros frades dominicanos que compunham um grupo de resistência à ditadura militar, Frei Tito era considerado uma ameaça, especialmente por apoiar o grupo guerrilheiro Ação Libertadora Nacional - ALN comandada por Carlos Marighella, passou a ser perseguido e torturado. Chegou a ser deportado e acolhido na França, mas não resistiu aos danos psicológicos causados pelo período de tortura e cometeu suicídio em 10 de agosto de 1974.


A trajetória de enfrentamento dos frades dominicanos é retratada no filme “Batismo de Sangue” de 2007, do diretor Helvécio Ratton, baseado no livro homônimo de Frei Betto.